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Há 30 anos, Paduano conquistava a terceira divisão do Campeonato Carioca

Autor: Gabriel Andrezo / Fotos: Reprodução (Facebook)

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Há exatamente 30 anos, o Paduano Esporte Clube deixava de ser um clube de fama regional para ganhar o Estado. Em 25 de outubro de 1987, o Trovão Azul vencia o Miguel Couto por 3 a 0 para faturar o título da terceira divisão do Campeonato Carioca, o primeiro título oficial da equipe. Uma conquista marcante e emocionante, que ainda ecoa no presente por ter colocado uma cidade com então 40 mil habitantes no cenário estadual do futebol. Mas também por mostrar a força do futebol do interior, numa altura em que faltava provar essa qualidade perante as forças da Região Metropolitana.

A conquista de 1987, no entanto, não deixou de pegar muita gente de surpresa. Tradicional clube do Noroeste, o Trovão já tinha participado do Campeonato Fluminense nos anos 40, mas sua participação no Estadual do Rio de Janeiro demorou a acontecer. Naquela temporada, o time faria sua estreia com um elenco formado por vários jogadores da região, mas outros nomes trazidos de clubes da capital, como o zagueiro Anselmo (Vasco), o goleiro Eraldo (Olaria) e o meio-campista Aílton (Bonsucesso). Mas o craque era o atacante Té, ex-Botafogo e Americano, atuando agora pelo time de sua cidade natal.
O campeonato de estreia do Paduano prometia ser empolgante. A terceira divisão do Carioca nunca tinha tido tantas equipes envolvidas – eram 16 clubes das mais variadas partes do Estado do Rio. A força e tradição de times como o Canto do Rio, de Niterói, ou ainda os emergentes Rio das Ostras e XV de Novembro pareciam assustar. Mas os 60 anos de tradição do Trovão em sua região provavam que não havia muito o que temer, desde que o time mostrasse talento em campo. A equipe comandada por Luís Carlos fez uma boa pré-temporada, derrotando times da região e conquistando bons resultados.
Início da campanha foi conturbado
Se a pré-temporada terminou positiva, o começo da Terceirona não foi nada agradável para o Paduano. Colocado num grupo que tinha América de Três Rios, Cantagalo e Olympico, o Trovão perdeu simplesmente todos os seus três primeiros jogos na primeira fase da competição. Na virada entre os turnos, o Paduano estava zerado em pontos e só um milagre poderia fazê-lo se classificar, mesmo com três vagas abertas. Tudo já parecia impossível e Luís Carlos acabou demitido. A diretoria procurava algo para mexer com as coisas e colocar o Paduano de novo no páreo. E foi esta a motivação para arrancar rumo à conquista.
O principal responsável pela volta por cima tinha nome e sobrenome: Ivo Marinho. O técnico tinha fama de conseguir grandes resultados em equipes pequenas. Já tinha uma experiência de sucesso na Terceirona, comandando o Siderantim no título da equipe de Barra Mansa em 1982. Sua missão, desta vez, era ainda mais espinhosa ao tentar tirar o Paduano da última colocação e mantê-lo no campeonato depois de um começo tão negativo. Sua chegada chaocalhou o grupo e o resultado disso não demoraria muito tempo para aparecer. Com Ivo, a equipe passou a se mostrar muito eficaz e capaz de vencer seus jogos na raça.
O empate com o Cantagalo, fora de casa, parecia ter sido a pá de cal, até que veio o jogo em casa diante do América de Três Rios. E o time azul fez bonito, ganhando por 1 a 0. Em 19 de julho, o Trovão foi até Bom Jesus do Itabapoana para enfrentar o difícil Olympico, sabendo que precisaria não só vencer, mas torcer para que América e Cantagalo não empatassem, resultado que classificaria ambos e eliminaria o time de Pádua. Em Três Rios, não teve jogo de compadres. O América fez sua parte e ganhou por 3 a 0. Drama mesmo só em Bom Jesus, onde deu Paduano, por um magro 1 a 0, suficiente para a incrível classificação.
Em Pádua, pouca gente ainda botava fé na sobrevivência da equipe depois do começo de pesadelo. Por isso mesmo, a emoção e a festa foram grandes na cidade quando a qualificação à segunda fase se confirmou. O prefeito Abel Malafaia se prontificou a ajudar no que fosse preciso e o time comprou a ideia. Na segunda fase, o desafio seria em um grupo de seis times, ao lado dos velhos conhecidos América e Cantagalo, além de Rio das Ostras, União Nacional e XV de Araruama. A meta seria, desta vez, ficar nas duas primeiras posições para chegar ao quadrangular final, último estágio antes do acesso à Segundona.
Subida de produção teve suas polêmicas
No entanto, os problemas que acometem todos os times num campeonato como esse não fizeram o Paduano sossegar. Ao longo da competição, o time perdeu o volante Marcelo e o atacante Vandinho, lesionados. Isso fez com que o técnico Ivo Marinho raramente pudesse repetir as escalações de um jogo para outro. Mas o time não perdeu a qualidade. A torcida entendeu o recado e passou a comparecer em número cada vez maior ao Waldo Carneiro Xavier, como na importante vitória sobre o União Nacional, com gols de Badecão e Aílton. Dali em diante, o Trovão Azul nunca mais perderia no campeonato.
As boas atuações nas vitórias sobre Rio das Ostras e União Nacional colocaram o time de Pádua na liderança do Grupo F, carimbando o passaporte para a fase final. Agora, o Paduano estava a apenas três vitórias de fazer história e subir para a Segundona, para atuar ao lado de clubes tradicionais do Rio de Janeiro, como Bonsucesso, Olaria e São Cristóvão. Mas se, dentro de campo, o trabalho tinha sido feito com excelência, a dor de cabeça posterior viria de fora das quatro linhas. Mais especificamente da organização do Campeonato Carioca da terceira divisão.
Ainda antes do fim da segunda fase, a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro (FFERJ) sinalizou a inclusão de mais dois times na fase final. Inicialmente, o regulamento previa que quatro times estivessem na última etapa, mas sugeriu-se que seis avançassem. Em reunião realizada na sede da Federação, o Paduano foi contrário à mudança, assim como o Olympico. Ambos os clubes reclamaram das arbitragens em seus jogos em casa, onde empataram em 0 a 0, o que consideraram uma represália da FFERJ. As palavras mais duras foram de Roberto Daher, o presidente do Paduano.
– A posição que tomamos na reunião foi coerente com tudo que foi discutido e aprovado nas reuniões que antecederam o campeonato. Todos aprovaram o regulamento e não vejo porque mudá-lo no final da segunda fase. Defendemos tão somente o acordo selado anteriormente e não poderíamos adotar outra medida – disse o presidente em tom firme, na época, ao “Jornal dos Sports”.
No fim, a FFERJ acabou “dobrada” e manteve o regulamento. Mas as polêmicas não ficaram só aí. Naquela mesma semana, a diretoria do Rio das Ostras acusou o Paduano de tentar subornar os jogadores do União Nacional para que perdessem a partida da última rodada, o que a alta cúpula do Trovão definiu como “uma manobra para criar um clube hostil por parte da torcida de Macaé”. Em outras frentes, as acusações envolviam benefícios ao América de Três Rios e ao Canto do Rio, mas a verdade é que nenhum destes times seguiu adiante na competição. Com o fim do disse-me-disse, a decisão se aproximava.

No quadrangular final, emoção de sobra

Na última etapa da Terceirona, o Paduano teria pela frente Olympico, Tamoio e Miguel Couto, este último o grande bicho-papão do campeonato. Na primeira partida, contra o Tamoio, uma boa vitória por 2 a 0, com gols de Marinho e Marcelo, este recuperado da lesão que tinha sofrido. A boa forma seguiu com um empate sem gols fora de casa, diante do Olympico. Veio então o primeiro duelo contra o Miguel Couto, no Joel Pereira, em Nova Iguaçu. O Tricolor saiu na frente com gol de Nílson, no primeiro tempo, mas o valente Paduano igualou na segunda etapa, num gol crucial de Ari para definir o 1 a 1.
Além de se manter próximo do Miguelão, o Paduano tinha outros motivos para comemorar o empate fora, já que jogaria duas vezes seguidas em casa e poderia confirmar o acesso e até o título com dois triunfos. Em Xerém, ficou no zero com o Tamoio, mas ainda um pontinho atrás do Miguel Couto. Assim, era justo dizer que o Paduano só dependia de si para subir e ser campeão. Na penúltima rodada, o jogo em casa contra o Olympico. O triunfo apertado, por 2 a 1, confirmou o acesso do time e abriu caminho para a festa em Santo Antônio de Pádua. Ainda faltava a cereja do bolo para a fechar a temporada.
O “patinho feio” do campeonato era agora o principal candidato a sair com o troféu, logo em seu ano de estreia no futebol profissional. Para isso, tinha que derrotar um Miguel Couto que não perdia há 12 jogos. Um empate desencadearia um jogo extra, já que ambos times tinham sete pontos ganhos e o regulamento não previa o saldo de gols como critério de desempate. Assim, no lotado Waldo Carneiro Xavier, era vencer ou vencer para levantar a taça, já que era apenas isso que restava em jogo, uma vez que ambos times já tinham confirmado o acesso para a segunda divisão de 1988.
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Quando a bola rolou, o Paduano tinha a seu favor mais de duas mil pessoas nas arquibancadas. Empurrado por sua torcida, mandou no jogo duante o primeiro tempo, mas só foi fazer seu gol aos 41 minutos, quando Nílson aproveitou lançamento na área para fazer 1 a 0. Na segunda etapa, o acuado Miguel Couto não teve como fugir e o Trovão Azul seguiu em cima. Aos 15 minutos, Té sofreu pênalti, cobrado e convertido por Marcelo. No finalzinho, já sob os gritos de “campeão”, Té novamente apareceu para lançar Marcelo, que tocou na saída de Nélson e fez o gol do título: Paduano campeão carioca.
Naquela nublada tarde em Pádua, o time jogou com Eraldo; Aldinélio, Nílson, Jorginho e Beline; Ari, Marcelo e João Euzébio; Ademar, Badecão e Marinho. Os herois de uma equipe que, logo em seu primeiro ano de futebol, colocava-se no topo. A cidade carregou o antes desacreditado Paduano nos ombros. Com uma festa que virou a noite, os jogadores ainda ganharam um churrasco do proprietário do Hotel Braga, um dos mais chiques de Pádua. Depois de toda a comemoração, restaram os agradecimentos. Muitos deles foram para Ivo Marinho, arquiteto da conquista, mas que não se esqueceu de também agradecer:
– Acredito que todo treinador tem uma certa queda por desafios porque isso glorifica sua carreira. Quando aceitei o convite para dirigir o Paduano, sabia que a parada seria muito dura. Mas senti que Deus estava comigo e me daria força para superar os problemas e vencer a batalha. Foi o que aconteceu. Não só coneguimos passar para a segunda fase, como ganhamos o título, até com muita tranquilidade, com a equipe perdendo apenas um jogo depois que assumi o cargo. Sem sombra de dúvida, a mão de Deus esteve estendida sobre nós.
O Paduano terminou 1987 com oito vitórias, seis empates e quatro derrotas, com 20 gols marcados e 14 sofridos. Uma campanha nem sempre regular, mas que mostrou a força e o brio de uma equipe que nunca se entregou, mesmo diante dos maiores percalços. Depois daquele ano, o clube do Noroeste ficou na Segundona até 1992, quando foi rebaixado. Jogou de novo a Terceirona em 1994, 2007 e 2012, sendo outra vez campeão nesta última oportunidade e figurando na Segundona nos dois anos seguintes, antes de cair novamente. Atualmente, joga a quarta divisão, de onde tenta sair para voltar aos dias de glória.
A campanha:
0x2 Cantagalo (C)
2×4 América-TR (F)
2×3 Olympico (C)
1×1 Cantagalo (F)
1×0 América-TR (C)
1×0 Olympico (F)
0x0 Rio das Ostras (F)
1×2 XV de Novembro (F)
2×0 União Nacional (C)
1×0 Rio das Ostras (C)
0x0 XV de Novembro (C)
1×0 União Nacional (F)
2×0 Tamoio (C)
0x0 Olympico (F)
1×1 Miguel Couto (F)
0x0 Tamoio (F)
2×1 Olympico (C)
3×0 Miguel Couto (C)
Matéria extraída do site futrio.net

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